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Compagnie Dos à Deux

Saudade-terres d’eau

O Processo de criação

Nas civilizações orientais, não existe separação entre dança e teatro. Nas artes asiáticas, fala-se, sobretudo, de Total arts ou teatro integral.

O trabalho de Artur Ribeiro e André Curti parece abrir caminho para esta arte total, que associa, sem distinção, escritura coreográfica e escritura teatral, narrando uma história por meio do gesto coreografado. Os espetáculos são arbitrariamente designados pela expressão "teatro gestual", no sentido que eles não se referem a um texto escrito e enunciado - mas, em sua estreita relação entre teatro e dança, fazem evoluir as personagens, no espaço cenográfico, segundo uma dramaturgia e uma gestualidade escritas.

Artur Ribeiro e André Curti procuram, em sua pesquisa, superar os limites da teatralidade na arte da dança. O gesto das personagens funciona como veículo para as emoções e os sentimentos, contribuindo para a dramaturgia.
Não se trata de uma encenação de estados do corpo, mas sim dos próprios corpos das personagens.

A evolução da pesquisa traduz-se pela busca permanente da simultaneidade do gesto coreográfico e teatral.
De que maneira o corpo exprime, através da estilização e da transposição, a ação teatral ?

Inicialmente, Artur Ribeiro e André Curti escrevem uma história e desenvolvem um roteiro, imaginando os processos dramatúrgicos e a repartição de seqüências. Esta "pré-escritura" constitui um desenvolvimento suplementar em relação às duas criações precedentes, que se apoiavam mais precisamente em uma situação dramática monolítica fundada em um duo de personagens quase geminadas.
A segunda etapa é a improvisação a partir de seqüências do roteiro, ou seja, os atores-bailarinos induzem uma ação teatral e improvisam partituras coreográficas. Em seguida, eles redigem e constroem esta partitura. Por fim, a partir desta contribuição da dança, voltam à improvisação teatral.

A situação dramática é sempre marcada pelo onirismo, elemento indispensável para que haja uma distância e um espaço de criação entre personagem e gesto.
Trata-se, por conseguinte, de um verdadeiro vaivém entre o teatro e a dança, que caminha para o texto escrito pela via da improvisação.

A utilização de técnicas coreográficas (contrapeso, caminhar sobre o corpo, virtuosidade do movimento,...) a serviço da dramaturgia requer uma aprendizagem extremamente rigorosa desse vocabulário. A disponibilidade e a escuta do ator-bailarino é indispensável à relação para com os outros intérpretes.

A manipulação do corpo - que faz com que se transforme e se torne, em determinados momentos, um corpo-objeto - é um aspecto essencial da pesquisa do movimento.

O prolongamento natural desta pesquisa conduz à utilização de objetos-acessórios e do objeto-cenário como pontos de ancoragem da ação dramática e como possibilidades de construção coreográfica.

Uma estética que busca a universalidade temporal e geográfica

Cada criação faz reviver um universo sem marcas do tempo ou do espaço geográfico no qual se insere. As personagens e o mundo em que circulam não têm "data". São universos de todos os tempos, de todos os continentes.
Trata-se de um trabalho de criação que se desenvolve na contracorrente de modas e pontos de referência definidos.
É justamente este elemento que contribui para a universalidade do trabalho e reforça seus vínculos íntimos com a condição humana.
O trabalho pode ser plenamente designado como "atípico".

No processo de criação, tudo contribui para o onirismo da situação dramática, mas sem efeitos. A iluminação e os figurinos são estilizados e transpostos para realçar a poesia da história e a experiência das personagens.
Todos os elementos são imbricados uns nos outros. Artur Ribeiro e André Curti têm uma visão da criação absolutamente integral. Nada é isolado e nada se acrescenta, tudo provém de um mesmo universo e de uma mesma intensidade. O universo musical ritma os momentos da vida das personagens e as evoluções dramáticas. Ele é construído quase como a trilha sonora de um filme, na qual os atores-bailarinos são também instrumentos : eles tocam o entrechoque de seus corpos e dos objetos, orquestrando uma musicalidade inventiva.



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