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Compagnie Dos à Deux

Aux Pieds de la Lettre

Expressividade do gesto

Dessin Dos à DeuxFalar do teatro gestual... um paradoxo para esse gênero artístico que utiliza o corpo e o movimento para contar uma história.

Próximo da dança contemporânea, visto que busca criar um vocabulário e formar uma linguagem corporal, ele é diferente na maneira de interpretar e de articular o movimento, pois essa linguagem favorece o surgimento de um jogo teatral, orgânico e musical.

O teatro gestual cria a dramaturgia através do corpo das personagens, mas sem ilustrar intenções e situações.
Artur RIBEIRO e André CURTI, bougeurs de théâtre (algo como "dançarinos do teatro"), como eles mesmos se definem, reinventam a cada nova criação uma linguagem gestual própria ao tema escolhido e as personagens.

Contrariamente ao teatro, os "atores do corpo" não conhecem previamente a história, nem sequer o papel que deverão representar. A partir de improvisações teatrais e gestuais, eles vão, progressivamente, escrevendo a dramaturgia, evitando, desse modo, colocar em gestos uma história que já foi projetada.

Eles recolhem imagens e movimentos, estabelecem relações como o espaço, com o outro e com os objetos, manipulam corpos e cores... Em seguida, esses elementos são identificados. Aos poucos, a trama se revela, estruturando a escritura gestual do espetáculo.

Nessa abordagem, diversos pontos de apoio servem à construção dramatúrgica : a musicalidade, a corporalidade do ator, a interpretação, a composição das músicas, a manipulação dos corpos e de objetos...

A musicalidade ocupa um espaço determinante na relação com a escritura teatral e coreográfica : é preciso que ela encontre sua própria música e expresse naturalmente seus ritmos em movimentos e atitudes. O silêncio e os sons participam da construção de uma partitura gestual bela e sofisticada.

Os objetos também contribuem para amplificar a precisão dessa musicalidade. O universo dos artistas fervilha de pequenos elementos que vêm prolongar ou apenas sugerir a ação das personagens.

Os objetos de cena - cadeiras em Dos à deux e uma mesa transformável em Aux Pieds de la Lettre - tornam-se elementos cenográficos, elementos de mediação entre as duas personagens, impondo limites ou criando possibilidades para os intérpretes.
O cenário-objeto ou os objetos cênicos são freqüentemente deslocados de seu contexto cotidiano, transformando-se no pretexto para a elaboração de jogos teatrais.

O gesto surge igualmente a partir da realidade cotidiana, dotando-se, por essa razão, de uma certa singularidade. Os portés e a manipulação do corpo do outro são, finalmente, elementos que prolongam o movimento dramático e, dessa forma, a estilização. Carregar, transportar, sustentar, a si próprio e ao outro... Técnicas nas quais um serve de chão para o outro, manipulando a gravidade, desafiando as leis da Física e convidando ao contato e à escuta.

Ao ritmo interior da história, das personagens e do espetáculo, a música vem afinar ainda mais o ambiente cênico. A música age como contrapeso da criação gestual : dueto entre música gravada e música do movimento, que amplifica os contrastes e intensifica as emoções.

Artur RIBEIRO e André CURTI através dessa pesquisa inventam universos insólitos, atemporais e poéticos.



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